Inovação X Melhoria Contínua

 em Artigo
D

Djane Aparecida Tomé Sant’Anna

Não devemos confundir a inovação com o conceito de melhoria continua. Inovação, mesmo que incremental tem a ver com avanço, com novidade e não simplesmente com fazer melhor. Fazer melhor não exige uma mente inovadora e sim uma mente atenta e diligente.

O termo inovação tem sido largamente utilizado nos meios corporativo como sinônimo de modernidade, criatividade e até mesmo como modelo de negócio. Na essência, os dicionários definem inovação como a introdução de alguma novidade na legislação, nos costumes, na ciência, nas artes etc.

Mas afinal como devemos entender o conceito da inovação no universo corporativo. Podemos começar entendendo o seu impacto nas empresas ou sociedade.

O grau ou nível de inovação pode variar desde a inovação de alto impacto à inovação incremental.

A inovação de alto impacto representa a criação de algo realmente novo, seja uma tecnologia, um novo conceito nas artes ou mesmo um novo paradigma de comportamento, que nasce de um modelo mental aberto e curioso.

Este tipo de avanço revolucionário quando acontece, representa uma verdadeira transformação no contexto em que está inserido. Foi assim que as aplicações das primeiras e rudimentares maquinam a vapor, no transporte ferroviário em 1829, desencadeou a chamada era do vapor e das ferrovias remodelando a sociedade nas décadas que se seguiram. O mesmo pode ser dito do advento da eletricidade, que trouxe luz à noite expandindo assim a capacidade de trabalho alem de permitir a mecanização das indústrias. O desenvolvi mento do protótipo do Ford-T em 1908 foi precursor da produção em massa com as conseqüências que todos nós conhecemos. Por fim, quando a Intel anunciou o lançamento de seu primeiro microprocessador em 1971, estava lançada a base para o que hoje conhecemos como a era da informação culminando no desenvolvimento da internet, telecomunicações e por fim na convergência das diversas mídias em torno dos mais modernos e sofisticados tablets , tão comuns e indispensáveis nos dias de hoje.

Todos estes eventos tiveram em comum a sua capacidade de transformar, não só uma empresa ou uma nação, mas sim a sociedade em escala global. O evento inovador em si não é transformacional, mas, no entanto é capaz de disparar uma onda de outras inovações incrementais, que de forma evolutiva se somam permitindo o redesenho da sociedade e da economia . Aqui encontramos o conceito da evolução de menor impacto, a inovação do dia a dia que não é revolucionária, mas sim evolucionária e que normalmente faz parte de um contexto ou uma onda inovadora maior.

Foi assim que o microprocessador da Intel de 1971 viabilizou os experimentos nas garagens da Califórnia, que por sua vez trouxeram os primeiros computadores pessoais. A contínua e incremental evolução na capacidade de processamento destes componentes viabilizaram então o desenvolvimento das telecomunicações e o surgimento da internet.

A internet, os mp3 players, Tablets, telefones celulares e todos os maravilhosos equipamentos que hoje estão presentes em nosso cotidiano e que realmente transformaram a maneira com a qual nos comunicamos, nos relacionamos, estudamos e fazemos negócios, fazem parte de uma grande onda de incontáveis inovações incrementais feitas em momentos diferentes e em diversas partes do globo.

Não devemos confundir a inovação com o conceito de melhoria continua. Inovação, mesmo que incremental tem a ver com avanço, com novidade e não simplesmente com fazer melhor. Fazer melhor não exige uma mente inovadora e sim uma mente atenta e diligente.

Para fazer melhorias contínuas não há mudança no modelo mental, há sim uma mente inquieta e obstinada pelo aperfeiçoar.
A mente inovadora é recorrente e inventiva. Busca a todo o momento o novo o inusitado e entende a “onda” em que esta inserida.

Steve Jobs era talvez o mais visível exemplo deste tipo de mentalidade. Entre o primeiro Mac e o Ipad 2 ou Iphone não encontramos melhorias contínuas e sim novos conceitos, novas concepções.

Por fim vale a pena refletirmos como desenvolver a competência e o comportamento inovador tanto em nossa vida profissional como em nossa vida pessoal. Este, possivelmente, será um dos maiores desafios do profissional de novos tempos, uma vez que vivemos imersos em uma onda transformacional de grande magnitude e somente aqueles que puderem contribuir com sua propagação estarão plenamente integrados ao novo ambiente de negócios em formação.

Esta competência depende da capacidade de lidar com a adversidade, com a diversidade e frustração. Está calcada na capacidade de fazer perguntas, de fazer pesquisas, de experimentar.

E você? Está preparado para inovar?

notícias recentes